BATMANIA

MORRISON FALA DO FIM DO BATMAN

O escritor Grant Morrison, em entrevista ao site Comic Book Resources esta semana, entregou vários detalhes inéditos de Final Crisis e a comentada história "Batman R.I.P." (Batman, descanse em paz). Será o fim do Universo DC? Será a morte de Batman? O aclamado roteirista escocês deu comentários que podem deixar o seu cabelo em pé.

Sobre o que é Final Crisis:

"Como seria se deuses do mal aparecessem na Terra? Quando nossa história se inicia, a guerra entre Bem e Mal foi ganha pelo lado errado e o Mal agora controla o Universo DC. E aí vemos o resultado disso. (...) Esses deuses estão aqui para destruir tudo o que amamos, tudo que tem significado e valor para nós. Eles querem mesmo esmagar a espécie humana e nos reduzir a escravos, não tem ameaça maior do que isso. Queríamos um mito primordial do super-herói que colocaria Mal absoluto versus puro Bem de um jeito que não se vê muito nos quadrinhos hoje em dia. Então, é a história do Universo DC encarando seu apocalipse e somente Darkseid poderia ser o vilão principal."

Final Crisis - minissérie principal do evento, em sete capítulos, que começa no mês que vem - terá uma pausa em agosto, entre as edições 3 e 4. Morrison explica o porquê:

"A principal razão é que, por motivos que não posso detalhar aqui, Flash acaba viajando um mês no futuro. No final da edição 3, ele entra na edição 4. Então você tem um vislumbre do que aconteceu com o mundo naquele mês antes de descobrir todos os detalhes na edição 4. As primeiras três edições mostram as coisas caindo aos poucos, enquanto a onda do mal vai avançando. No final da 3, os Deuses do Mal estão com o poder total para tomar o planeta Terra. Quando a 4 começa, um mês se passou e estamos em um novo mundo, com regras bem diferentes. (...) O que acontece da 4 à 7 vai ter grandes ramificações para o Universo DC."

A idéia inicial de Morrison para a série começava com a morte de um dos grandes heróis da editora, Capitão Marvel, e uma alfinetada na concorrência. A primeira página abriria com todos os heróis no túmulo do Capitão Marvel e Superman dizendo: "Marvel is dead". A idéia, porém, não foi aprovada pelos editores. Quanto a Batman, o escritor diz que Final Crisis tem efeito direto sobre o homem-morcego. "Batman não vai voltar depois da crise. O Batman, como o conhecemos, não vai voltar", diz o escritor.

Mas isso, no entanto, não quer dizer que o Morcegão vá bater as botas. Morrison disse que o primeiro arco que escreveu para o personagem, "Batman & Filho" (edições 58 a 62 no Brasil), não foi sua primeira idéia para o Homem-Morcego. "A primeira história que eu bolei assim que me passaram o gibi foi 'Batman R.I.P.', na qual eu tinha a idéia dessa capa em que Batman está beijando uma garota enquanto seu uniforme é descartado [algo semelhante à imagem ao lado, capa de Batman #677]. Então eu contei isso para o [editor-executivo] Dan Didio e disse: 'Ok, trabalharei em uma grande história chamada Batman RIP'. E ele rebateu: 'Ok. Mas não pode ser R.I.P. e nada acontecer, precisamos fazer algo com o Batman'. Então ele me encorajou a tomar isso mais literalmente e é onde tudo termina. É o fim do Bruce Wayne como Batman."

Questionado sobre os boatos de que Bruce Wayne morreria e, por isso, deixaria de ser o Batman, ele disse: "O que temos muito melhor do que a morte. As pessoas mataram personagens no passado mas, para mim, isso meio que acaba com a história. Eu gosto de manter a história se mexendo e se transformando. Então, o que estou fazendo aqui é dando-lhe um destino muito pior do que a morte. Coisas que ninguém poderia esperar que aconteceriam com esses caras algum dia". Por "esses caras", entenda não só Batman e Super-Homem, mas os heróis DC como um todo.

Outro boato lançado na Internet assim que as primeiras notícias sobre "Batman R.I.P" começaram a circular especulavam sobre quem seria o substituto de Bruce Wayne por trás do capuz do Homem-Morcego. Morrison falou sobre três deles:

Tim Drake: "Definitivamente, Tim Drake merece isso, mas essa não é necessariamente a forma como as coisas acontecerão. De todos os personagens, ele é o que realmente merece ser o Batman, porque ele se esforçou muito pra isso. E ele não entrou nessa por acidente. Ele escolheu fazer isso. Tim seria muito parecido com o original. Ele tentaria muito se equiparar ao Batman de uma maneira que seria ideal para sua personalidade, mas acredito que ele acabaria se tornando uma pessoa determinada, mas sombria".

Dick Grayson: "Dick Grayson seria um Batman muito diferente. A maneira com a qual eu sempre os comparo é que Bruce Wayne era um garotinho rico, que era fracote e vivia adoecendo até seus pais morrerem e ele decidir se tornar forte. Mas Dick Grayson é um garotinho de circo, durão. Ele nasceu forte. E ele era provavelmente bastante pobre, sendo do circo e tudo. Ele falava de um jeito esquisito. Ele não soava como uma pessoa rica. Dick seria como um Batman do circo. Ele sorriria bastante. Ele seria bastante divertido. Haveria uma dinâmica diferente entre este Batman e o Coringa. Você teria alguém que poderia realmente rir mais do que o Coringa. E ele [Dick] é um espertalhão. De repente, teríamos um Batman que seria muito semelhante ao Homem-Aranha e acredito que isso seria algo realmente divertido de se ver".

E Damian, o filho de Bruce e Tália Al Ghul, que aparece trajando o uniforme do pai em Batman #666? "Ele daria um excelente Batman, mas um Batman muito durão. Ele arrancaria sua cabeça alegremente, se necessário. Na verdade, muitas pessoas provavelmente gostariam disso."

Morrison não mencionou nenhum outro candidato ao posto de guardião máximo de Gotham, o que não quer dizer que ele não tenha surpresas em suas longas mangas. O certo é que o escritor escocês não tem um prazo definido para abandonar a série principal do Batman. Seu contrato com a DC nesse sentido não tem uma data de encerramento. Ele disse que permanecerá no título até "ficar entediado com ele". No entanto, Morrison garantiu que os planos que fez para o Morcegão garantem sua permanência no título pelo menos até o fim de 2009. Até lá muita coisa pode - e deve - acontecer.

Na boa, pra mim Morrison está passando pela mesma crise de criatividade que Frank Miller está passando desde o final da década passada.

FONTE: OMELETE