BATMANIA

NOVOS TITÃS: O DESENHO DE ROBIN

Em 1992, a Warner Bros. redefiniu os desenhos animados de super-heróis na tevê, com a introdução de uma adaptação do Homem Morcego, da DC Comics, com a série entitulada BATMAN – THE ANIMATED SERIES. Tudo ali era inovador. A animação de uma qualidade excelente, o que, nos anos 90, pode acreditar que já significava muito. O design era sombrio, rico e trazia uma forte influência dos quadrinhos de Bob Kane. A direção era inovadora e sofisticada. As vozes, que no original contava com Kevin Conroy como Batman/Bruce Wayne, eram perfeitas.

Mas o ponto alto no novo conceito de animação, sem nenhuma dúvida, eram os roteiros, totalmente voltados para um público mais velho. Oficialmente, a série tinha no público adolescente o seu alvo principal. Mas a verdade é que BATMAN – THE ANIMATED SERIES ía muito além de SUPERAMIGOS.

Influenciada também pelo sucesso dos dois primeiros filmes do Morcegão no cinema, a série foi um grande êxito da Warner. Até mesmo o tema utilizado nos filmes de Tim Burton foi adaptado pelo próprio Danny Elfman.

BATMAN continuou por muitos anos. Mudou um pouco aqui e ali nas novas séries inspiradas na original (THE BATMAN AND ROBIN ADVENTURES e BATMAN – GOTHAM KNIGHTS, que introduziu a Batgirl, ambas transmitidas no Brasil pelo Warner Channel). O sucesso do estilo culminaria na não menos excelente série SUPERMAN, que até contou com o crossover WORLD´S FINEST (OS MELHORES DO MUNDO), unindo o Super e o Morcegão.

Quando o gênero parecia querer se esgotar, a mesma Warner apresentou aos fãs um conceito totalmente novo, em BATMAN BEYOND (BATMAN DO FUTURO). A série mostrava um futuro próximo, onde Bruce era um cara mais velho e tinha que ensinar um Batman mais jovem para que tomasse o seu lugar. A premissa poderia levar a franquia do Cavaleiro das Trevas à bancarrota, mas o que se viu foi um absoluto sucesso que quase culminou num filme em live-action para o cinema.

Infelizmente, a Warner não tem acertado muito nos últimos anos. Mas uma outra empresa do grupo milionário, a rede de tevê à cabo Cartoon Network, parece ter pegado o jeitão da coisa e nos presenteou primeiro com o excepcional LIGA DA JUSTIÇA, e agora nos traz o não menos inovador NOVOS TITÃS.

Ao contrário dos predecessores da aliança WB/DC, NOVOS TITÃS parece ter sido idealizado mesmo para o público mais jovem. Embora a premissa básica seja claramente inspirada na encarnação do grupo de heróis dos quadrinhos dos anos 80, escritos por Marv Wolfman, aqui os personagens têm em média 14, 15 anos de idade; enquanto nos gibis citados, eles tinham em médio 18, 19 anos. O cartoon dos TITÃS também suprimiu outras coisas dos personagens da fase clássica, talvez por desatenção dos supervisores, talvez pela velha bandeira da “atualização” para o público mais jovem. Mas seja qual for o motivo, o resultado não é desmerecedor de elogios.

Há um contraste nessa nova série que acha o perfeito equilíbrio entre a seriedade de seus antecessores, como BATMAN e LIGA DA JUSTIÇA, e uma dose de humor que caiu muito bem à produção. No primeiro episódio, "Final Exam” (“A prova final”), os Titãs enfrentam um trio de pequenos vilões que poderiam muito bem ter sido treinados por Emma Frost (a Rainha Branca, dos X-MEN). Quando os bandidinhos derrotam os heróis e os expulsam de sua própria torre, a primeira coisa que eles fazem é destruir os CDs dos Novos Titãs. No segundo, “Sisters” (“Irmãs”), a irmã mimada de Estelar vem à terra só para humilhá-la, chegando ao cúmulo de usar as roupas dela sem permissão...

É claro que podemos conferir cenas engraçadas também em séries como LIGA DA JUSTIÇA; mas sabemos que, no final das contas, o enredo tem sempre um fundo de seriedade, com aqueles diálogos formais. Até mesmo o irreverente Flash (dublado por Michael Rosenbaum no original), sabe quando tem que dar um tempo nas piadinhas e agir como um super-herói.

Se você é daqueles que curte a seriedade, prepare-se para um NOVOS TITÃS longe de se levar a sério, com desenhos mais caricatos do que estamos acostumados a ver e uma animação evidentemente bastante influenciada pelos animes... Quanto ao tema de abertura, o Cartoon optou por um tema bem ao estilo dos anos 60, como se estivéssemos ouvindo uma banda de J-Pop cantando em inglês, lembrando em muito a canção-tema de SPEED RACER. Numa palavra, tudo muito niponizado.

Para o bem ou para o mal (dependendo do quanto você curte desenhos japoneses) imagine a série animada NOVOS TITÃS como um produto de anime feito sob encomenda para o mercado ocidental. Todos os clichês que conhecemos estão lá, incluindo aí as expressões exageradas dos personagens em cenas mais cômicas, caricaturas que aparecem na tela para ilustrar o pensamento dos pequenos heróis e até mesmo as personalidades típicas dos fan services de anime.

Robin é o líder, como nos quadrinhos. Afinal de contas, ele foi treinado pelo melhor: Batman. Ciborgue é só aquele cara que tenta se dar bem. Ravena é um estereótipo gótico, e a extraterrestre Estelar é a típica personagem do gênero anime. Mutano... bem, é aquele moleque mesmo.

A única coisa que a série NOVOS TITÃS parece ter em comum com sua fonte de inspiração dos gibis da DC Comics, é a qualidade inquestionável da ação, direção e roteiro. Existe uma certa atitude expirada pelo programa, que de alguma forma o torna bastante divertido de ser assistido.

Se você for um fã do grupo clássico de Marv Wolfman e George Perez, livre-se de suas expectativas e dê uma chance a esta série, e certamente não se arrependerá.

NOVOS TITÃS ainda não tem data de estréia marcada para o Brasil, mas já se sabe que irá ao ar pelo próprio Cartoon Network.

No Brasil, o nome do desenho será: Jovens Titãs