JULIUS SCHWARTZ

JULIUS SCHWARTZ

O EDITOR RESPONSÁVEL PELA PRIMEIRA REFORMULAÇÃO DO CAVALEIRO DAS TREVAS. ELE CRIOU A ECLIPSE AMARELA EM TORNO DO MORCEGO NO PEITO DO BATMAN

Em 1964, as vendas de Batman estavam baixissimas, no limiar do cancelamento. E, se havia alguém que podia mudar isso, a direção da DC bem sabia, esse alguém era Juliu Schwartz, apesar de não estar muito familiarizado com o personagem, ele tinha uma grande experiência em quadrinhos.

Desde que ingressou na DC em 1944, ele já havia editado um grande número de revistas da Era de Ouro, tais como All-Star Comics, All-American Comics e All-Flash Comics. No final da década de 50, foi fundamental na criação do período chamado Era de Prata - a revitalização dos heróis. Ele reviveu Flash, o Lanterna Verde e Gavião Negro. Assim que assumiu Batman, Schwartz passou a utilizar a arte dinâmica de seus antigos associados. Carmine Infantino e Gil Kane. Com o arte-finalista Murphy Anderson, os 4 criaram um novo visual para Batman, a começar pelas capas das revistas. Era uma época concorrida, com centenas de títulos nas bancas. Para Julius, a capa tinha que pegar o leitor logo de cara. Por isso, eram feitas primeiro. Além de garantir as vendas, elas também orientavam o roteirista. A cena da capa deveria ser um momento, obrigatóriamente, dramático da história. Ele resolveu também alterar, embora levemente, o traje do Batman, colocando um circulo amarelo no simbolo do morcego.
Contudo, as mudanças não pararam por aí. Ele convenceu Bill Finger a fazer um novo roteiro para Batman, uma aventura emocionante, cujo o final foi um choque para todos, Alfred morre, após 20 anos ao lado do personagem.

A idéia pareceu ótima, mas acabou se tornando um problema, quando a ABC iniciou o seriado de TV, Batman, e exigiu a volta do personagem. A explicação inventada foi de que Alfred, na verdade, não estava morto, mas sofrendo amnésia e preso no corpo do vilão Outsider.

Com o sucesso televisivo houve uma mudança radical na linha editorial. O drama criminalistico que marcou a chegada de Julius, foi substituido por brincadeiras nas capas. "Santa sei lá o que!" nos diálogos, e uma atitude geral debochada. Fãs dedicados do morcego tem arrepios ao lembrar do caos criado pelo programa de TV, mas a ironia é que Julius, ao revitalizar o personagem, foi indiretamente responsável pelo programa ser criado.

2 anos depois, contudo, o seriado e o apelo divertido das revistas haviam se esgotado. Julius decidiu refazer novamente o Cavaleiro das Trevas, tornando-o mais parecido com sua versão original. Para isso, abordou um ponto crucial do personagem: Batman era conhecido como o maior detetive do mundo, mas nunca aparecia como tal. Então, o editor optou por um enfoque detetivesco nas histórias. Seus antigos inimigos, como o Duas-Caras e o Coringa, ainda estavam por perto para importuná-lo, com a diferença de que agora eram realmente perigosamente mortais, não cômicos.
Com o novo visual, veio um novo elenco de artistas: Dick Giordano, Irv Novick, Frank Robbins, Len Wein, Jim Aparo, Archie Goodwin, Steve Englehart, Marshall Rogers. Porém, quando os fãs desse período pensam numa "equipe de criação", os nomes que saltam à mente são Denny O'Neil e Neal Adams.
No final dos anos 70, Julius deixou as Bat-revistas para se dedicar unicamente aos títulos do Superman, um trabalho que manteve até a reformulação do personagem em 1986. Atualmente, está escrevendo suas memórias com Elliot Maggin, antigo escritor de Superman, para as revista Amazing Heroes. Perguntado se ainda acompanha as histórias de Batman ou Superman, Julius tem a resposta na ponta da língua:
"Não, eu prefiro não ler. Se julgar uma revista atual pior do que as que eu publicava, eu vou me sentir mal. Se for melhor que eu, vou me sentir duplamente mal".