JOHN CONSTANTINE

JOHN CONSTANTINE

Quando jovem, John liderou uma banda chamada Membrana Mucosa, lançando um single chamado "Venus of the Hardsell" (na verdade, uma canção escrita pelo próprio Moore). Quando jovem, John sacrificava gatos em rituais que visavam prejudicar o próprio pai (antes de ir assistir mais uma episódio de DR. WHO).

E, lá pelos seus vinte e poucos anos, John tentou fazer um exorcismo em Newcastle, algo que deu tão errado que acabou matando seus amigos e levando John à loucura.

Mas depois ele melhorou um pouco, acho...

Muitos entendidos no assunto afirmam que John é uma das figuras mais inteligentes, capazes e ousadas das ciências ocultas que já existiu, mas ele discorda.

Uma vez, John entrou num boeing 747 despreparado, sabendo que o avião sofreria um acidente. Acabou sendo o único sobrevivente do vôo.

Constantine (ou JC, como costumamos o chamar) é certamente um dos personagens mais cultuados dos últimos 20 anos. Referências e homenagens a ele podem ser encontradas por toda parte, e é comum vermos fãs que se entregaram às incômodas estórias do anti-herói manifestarem-se mais apaixonados pelo mundo turvo de John, do que por personagens com tanto apelo quanto este, como a Morte, Sandman ou até mesmo o Batman.

Mas, se você não sabe muito sobre John, vamos contar sua breve história aqui.

Em 1985, Alan Moore estava escrevendo MONSTRO DO PÂNTANO (com Steve Bissete e John Totleben na arte) e queria injetar mais temas e conceitos adultos na revista. Com este objetivo, ele acabou criando John, um homem misterioso que chegou de lugar algum e se auto-proclamou um tipo de "tutor" da criatura do pântano. Ele sempre soube mais do que deveria, até quando foi à Newcastle e acabou matando os próprios amigos. A partir da edição nº 38, John tornou-se um personagem semi-regular da revista, finalmente conquistando seu próprio título no início de 1988, com roteiros de Jamie Delano e desenhos de John Ridgeway. O nome da revista era HELLBLAZER (inicialmente chamada HELLRAISER, mas o escritor e diretor britânico Clive Barker, do filme homônimo, acabou chegando antes).

Alguns fãs acreditavam que John perderia seu ar misterioso e rude, tornando-se um herói na nova série. Mas, considerando que ele teve que literalmente sacrificar um velho amigo para deter um espírito faminto que pretendia devorar Nova York, vimos satisfeitos que a essência do personagem permanecia intacta.

Os artistas do título foram sendo trocados, mas Delano ficou até a edição nº 40, quando Garth Ennis assumiu como roteirista regular, iniciando com uma estória brilhante em seis partes sobre um câncer pulmonar terminal que acometeu o personagem.

Neil Gaiman também escreveu sobre John em SANDMAN nº 3 e nos decepcionou um pouco em OS LIVROS DA MAGIA, bem como Grant Morrison e (argh!) Nancy Collins, e mais uma quantidade considerável de história por trás dos ancestrais de John (particularmente Lady Joanna Constantine) em vários locais.

Hoje em dia, John é um pouco menos misterioso, mais trágico. Mas ele ainda é um personagem cujos pensamentos não podem ser antecipados, nem os poderes podem ser medidos. Com certeza, ele sabe muito sobre magia, mas muita coisa não passa de blefe. Ele é, acima de tudo, um artista do blefe.

John é um cara do bem, apesar de ser uma pessoa de temperamento difícil e haver alguns argumentos convincentes sobre o contrário. E, mesmo que ele não queria outra coisa hoje, a não ser que o deixem em paz, parece que isso é algo que ele jamais vai conseguir.

Quanto à HELLBLAZER, trata-se de um quadrinho de horror, puro e simples. Não há pretensões na arte. As estórias se projetam em sangue, sexo, drogas e imagens religiosas irreverentes. Mas é muito bem escrito, instiga a imaginação, por vezes perturba, algumas vezes são poéticas e, quase sempre, muito divertidas.

Este ano, HELLBLAZER vai virar filme. O projeto está sendo dirigido por Francis Lawrence e ninguém menos que Keanu "Neo" Reeves vai encarnar o personagem John Constantine, que também dá nome ao projeto.

A estória mostrará John se juntando à cética policial chamada Angela Dodson (Rachel Weisz) para resolver o misterioso suicídio de sua irmã gêmea (também interpretada por Rachel).

Correm rumores de que Alan Moore teria deserdado a produção e que exigiu que seu nome não constasse nos créditos do filme, tamanhas as mudanças realizadas no conceito original.

Para começo de conversa, Constantine tornou-se um típico americano e a estória terá lugar em Los Angeles. Uma decepção para os fãs mais fundamentalistas, uma praxe irritante de Hollywood nas adaptações de quadrinhos para o cinema...

No Brasil, é possível encontrar em sebos as antigas revistas em formatinho de MONSTRO DO PÂNTANO, da Editora Abril.