DRÁCULA

DRÁCULA

Conde Drácula, o mais famoso morto-vivo da história da literatura, há mais de 100 anos, o escritor Bram Stoker lançava em plena Inglaterra vitoriana o seu Drácula, romance que inspirou centenas de outros livros, peças, filmes e histórias em quadrinhos, numa onda que parece interminável de sangue e horror. A mistura de repulsa e fascínio comparada ao abalo produzido pelo Frankstein de Mary Shelley, publicado 80 anos antes. drácula, o livro deixado por Bram - de Abraham - Stoker, a rigor não é um grande romance. Não pode ser comparado, por exemplo às narrativas góticas de um edgar Allan Poe ou às maquinações fantásticas de um Adolfo bioy Casares.

Mesmo assim, ele se tornou o fundamento de todos os pesadelos, a base do imaginário de terror que, numa queda e, abismo, gira em torno da figura do Príncipe das Trevas. Bram Stoker deu a forma definitiva a um mito que antes vivia disperso em narrativas orais, peças do folclore eslavo e em documentos imprecisos e pouco confiáveis.

Drácula é a história do jovem agente imobiliário Jonathan Haker, que é enviado à Transilvânia para negociar a venda de uma casa com um desconhecido aristocrata. Em Londres, ele deixa sua desamparada noiva Mina Murray, que mora com a amiga Lucy Westenra.

No castelo do nobre, onde deve passar a noite, o rapaz é primeiro abordado por três vampiras que tentam seduzi-lo, mas ele resiste aos seus apelos.

a atmosfera se torna ainda mais lúgubre quando o próprio Drácula exibe suas garras. Disposto a devastar o mundo com suas dentadas, a criatura parte para a nova propriedade inglesa a bordo de um navio cuja a tripulação é morta por ele. Em Londres, ataca a jugular de Lucy, que assim, se torna vampira. desesperado, Haker procura socorro com o professor Abraham Van helsing - filósofo, metafísico e especialista em doenças obscuras -, que acaba derrotando o vilão. O romance de Stoker, na verdade, é uma coleção de trechos de diários e cartas "deixados" por Haker, Mina e Lucy, estrutura que naturalmente se perde nas várias adptações do livro, que foi baseado numa pesquisa relativamente sofisticada. Antes de escrevê-lo, o autor passou várias semanas debruçado sobre mapas, relatórios e documentos da história da Transilvânia guardados no Museu Britânico.

Abraham Stoker nasceu em 1847, em Dublin, Irlanda. Graduou-se em filosofia e ciências. Seu primeiro emprego foi como funcionário no Castelo de Dublin - onde, provavelmente, o mito do vampiro começou a se formar em sua mente. cmeçou a escrever Drácula em 1890, aos 43 anos. Enquanto desenvolvia seu processo por fascinação pelos temas sobrenaturais, desembocou na figura que gerou o seu célebre personagem, o príncipe Vlad Dracul, O Empalador, nobre da Transilvânia do século XV, à época famoso pelo estilo cruel com que matava suas vítimas.

O livro foi publicado sete anos depois, com pouca repercussão entre a crítica. Vlad Dracul era um príncipe cristão romeno que, noa ano do descobrimento da América, atacou com seu exército 30 mil turcos dosi quais empalou a metade - daí o título nada edificante de O Empalador agregado a seu nome. a maldade de Dracul exacerbou-se com um intenso sofrimento.

Ainda estava na frente de batalha quando sua mulher-, Elisabetta, se suicidou.

Ao retornar e vê-la morta, ele enlouquece. A partir desse momento torna-se um assassino sem causa e passa a beber o sangue de sus vítimas, dando origem ao mito.

Retratos do príncipe Dracul mostram um homem magro, de olhar misterioso, pele alva, que se vestia sempre de preto e tinha o rosto decordo com um bigode grisalho, imagem quase sempre distorcida nas telas de cinema.

Muitas histórias estranhas rondam em torno da figura mítica enaltecida por Bram Stoker.

A partir da publicação do romance Drácula, a vida do escritor foi devastada por uma série de incidentes estranhos que para alguns configuram uma verdadeira maldição. Ele começou a ter graves problemas de saúde, chorou a morte de seu melhor amigo, o ator Lyceum Irving, e amargurou o incêndio do Lyceum Theater, do qual era gerente. Apesar dos infortúnios, Stoker progrediu imensamente na carreira de escritor. Ao todo. deixou 17 livros.

O personagem mais famoso das histórias de terror só se tornaria de fato célebre apó a primeira versão filmada do romance em NOsferatu, o vampiro, realizada pelo diretor alemão Friedrich Murnau em 1922. O Nosferatu de Murnau - nome Drácula foi trocado por uma questão de direitos autorais - é um dos mais importantes filmes da história do cinema mudo. Cinquenta e seis anos depois, o alemão Werner Herzog inspirou-se nele para realizar seu Nosferatu, o vampiro da noite, de 1978.

A maior parte das versões realizadas a partir do filme de Murnau baseou-se numa peça dos anos 20, que gerou o Drácula vivido pelo ator húngaro Bela Lugosi, em 1920.

Nosferatu é o primeiros de uma série interminável de filmes que tem dois espetaculares exemplos no Drácula de Bram Stoker (1992), de Francis Ford Coppola, e Entrevista com o Vampiro (1994), de Neil Jordan.

Na literatura, o vampiro é hoje uma figura muito disseminada. Até o dentuço Lestat, da americana anne Rice, muitas máscaras lhe serviram. Com a queda do marxismo, Vlad Dracul voltou a ser considerado um herói nacional romeno. Os historiadores romenos hoje atribuem o folclore em torno do nome do príncipe ao romance de Bram Stoker. Sob a perspectiva da literatura, contudo, isso é o que menos importa. Ao cimentar fatos históricos com força da imaginação, Stoker ergueu uma imagem de terror e sedução que parece destinada a assombrar até os fins dos tempos.

Foram várias as versões do vilão nos quadrinhos, e por ser um elemento do folclore mundial, Drácula não foi preso à direitos autorais das editoras, então podemo vê-los em várias séries diferentes. Seja feita por alguma editora no Brasil, ou enfrentando os heróis da Marvel na década de 70 (Homem-Aranha, X-men, Doutor Estranho e Surfista Prateado), ou na DC Comics, onde enfrentou o Superman, mais vezes ainda o Batman. Um combate que ficou famoso, foi na mini-série da década de 90; Batman e Drácula: Chuva Rubra, que coloca o Cavaleiro das Trevas contra o Príncipe das Trevas numa aventura imaginária onde tudo pode acontecer.

Nosferatu, o primeiro vampiro do cinema

Batman Drácula

Longa-metragem produzido em 1964 pelo artista plástico e ativista da arte pop Andy Warhol. fã do seriado de cinema Batman produzido pela Columbia pictures em 1949, ele quis fazer uma homenagem, aproveitando da linguagem da contracultura. Apesar de muito citado, o filme e suas imgens são quase impossíveis de se achar.

Batman Fights Drácula

Filme de de segunda categoria dirigido pelo filipino Leody M. Diaz, lançado em 1967. sem respeitar direitos autorais, coloca o Cavaleiro das trevas contra o Príncipe das trevas, interpretado por Dante Rivero

Batman Versus Drácula

Em 2005, a Warner Bros., lança esse longa-metragem em desenho, que é um produto derivado da série The Batman