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O HOMEM FORTE POR TRÁS DAS REVISTAS DO BATMAN POR MAIS DE 30 ANOS.
"Sergius" continuou na Charlton Comics até Dick se mudar para a DC, levando Denny e outros colaboradores consigo."Meus primeiros trabalhos foram Rastejante, Bomba - The Jungle Boy e o faroeste Bat Lash, uma série que eu considerava à frente de seu tempo".
"Ai, fui apresentado ao Julie Schwartz. Eu não achei que ele estava muito animado em contratar um hippie - na época, todo mundo na DC usava terno e gravata, e eu tinha cabelo comprido e usava jeans, bem ao estilo anos 60 -, mas escrevi uma história do Lanterna Verde e ele gostou, apesar da minha aparência. Depois, escrevi Gavião Negro, Eléktron e Liga da Justiça, entre outros. "Com certeza, foi a aparência hippie que o levou a um dos trabalhos mais lembrados da época: Arqueiro Verde/Lanterna Verde, com a colaboração do lápis de Neal Adams.
Então, veio Batman: "Me falaram que a série de tevê tinha acabado e queriam que eu desse uma redimensionada nele. A idéia era voltar às origens, ao estilo que tornou o Cavaleiro das Trevas um personagem popular, redescobrir sua essência. Eu via o Batman como um ser obscuro, solitário, sempre agindo à margem da sociedade e da realidade. Foi a sorte que trouxa Neal Adams pra desenhar a primeira história. Depois disso, passei a trabalhar regularmente com o personagem. Dizem por aí que eu já escrevi mais 86 aventuras do Batman".
Nessa época, foi criado um dos maiores inimigos do Batman. "Achavamos que Batman precisava de um novo vilão, já que há muito tempo não aparecia um. Normalmente, os personagens surgem por necessidade de uma história específica. Mas não dessa vez, quando surgiu Ra's Al Ghul e Tália. A idéia foi basicamente minha: o visual do Neal, e o nome, do Julei (que significa "Cabeça do Demonio" em árabe)."
Após uma longa e ilustre permanencia na DC, Denny retornou à Marvel, "Queria mudar um pouco as coisas. Eu precisava de novos desafios... as coisas estavam muito fáceis na DC. Numa entrevista entrevista com Jim Shooter - que fiz pra um jornal -, ele me ofereceu o cargo de editor. "Além disso, Denny continuava a escrever (a propósito, foi ele que encomendou o primeiro argumento de Frank Miller), até que, uma vez mais, Dick Giordano, levou para a DC, com a oferta do cargo de editor-chefe. Como sempre, Denny continuou a escrever, incluindo Questão e Doc Savage.
Denny também tem seus trabalhos fora dos quadrinhos: "Fiz críticas de livros para a Publisher's Weekly, publiquei 18 ou 19 contos de suspense e ficção ciêntifica. Um deles foi eleito o melhor conto de suspense de 75, e um outro, voltado para a questão do recismo, foi transmitido numa rádio na África do Sul. escrevi uma coluna por cinco anos para a Epic Magazine. Foi uma das coisas mais gratificantes que eu já fiz. Todo mundo adora falar de cinema e... eu era pago pra fazer isso.
"Publiquei alguns livros, incluindo um sobre artes marciais, co-argumentado por Jim Berry, um de ficção ciêntifica, que é melhor esquecer, e mais dois sobre a história dos quadrinhos. Também escrevi roteiros para a tv, um para a série Comandos em Ação, um pro seriado Logan's Run, e para o episódio que estreiou Ra's Al Ghul em Batman The Animated Series. Isso sem contar as várias palestras em faculdades, quase sempre sobre literatura popular e super-heróis.
Denny procura sempre ficar ocupado em suas horas vagas. "faço muitos cursos, a maioria deles relacionada a estudos sobre a Ásia. Estou aprendendo "tai chi" há cinco anos, mas do tipo pacífico. Nem pensem em me desafiar pra uma luta". Mas, Denny tem muito orgulho mesmo é do seu filho, Larry, que estuda cinema. "Recentemente, me casei com uma antiga namorada, Marifran... que ainda é nova no ramo e fica toda emocionada quando vê o nome dela publicado."
Ver seu nome publicado talvez seja coisa vela, para Denny. Mas, apesar de já ter uma grande lista de créditos, seus fãs, com certeza, vão torcer para que essa lista continue crescendo.
Se existem superastros nos quadrinhos, Denny O'neil é um deles. Seu desempenho cobre 4 décadas e inclui algumas das obras mais criativas do meio quadrinistico. De Batman às inovações em Lanterna Verde/Arqueiro Verde, no começo dos anos 70, ao questão dos anos 80, Denny percorreu um longo caminho.
Ele nasceu no dia 3 de maio de 1938, em Saint Louis, Missouri. Como acontece com a maioria das pessoas envolvidas nessa área, as HQs surgiram muito cedo em sua vida. "Meu primeiro contato com os quadrinhos foi aos 4 anos de idade. Acho que aprendi a ler através deles, pois eram bem mais interessantes que as cartilhas. Meu pai comprava uma revista para mim todos os domingos, depois da missa. Mas essa única revista acabava redendo diversas outras, porque eu fazia trocas com a garotada".
Junto com o interesse pelos quadrinhos veio a vontade de escrever. "Quando eu estava na quarta série, entrei para um fã-clube do Superman e recebia um jornalzinho regularmente. Nele se promoviam concursos, e eu cheguei a ganhar um de contos...talvez isso tenha me levado para o mundo das HQs".
Denny freqüentou uma escola militar e, por 4 anos, uma universidade jesuíta. "O curso era de Inglês com extensão em composição e filosofia. O melhor de tudo ali era um professor de redação que exigia da gente um texto de mil palavras por semana. Com isso, aprendi a respeitar datas de e e a saber se podia ou não fazer um determinado trabalho. Fiquei envolvido por algum tempo com a revista literária da faculdade e cheguei a escrever uma peça. Quando saí dali achei que nuca mais ia escrever uma só linha de ficção na vida".
"A razão, em parte, foi o meu interesse por outra atividade criativa: brinquei um pouco de ser ator e passei um tempo como profissional. Houve uma época em que as chances de ser ator ou escritor eram as mesmas. Eu gostava tanto de escrever como de atuar, mas descobri que o estilo de vida de um ator não me agradava."
Então, acabei optando por escrever. Pensei em ser jornalista. E fui por um tempo, quando estava na Marinha. Depois, lecionei numa escola pública de Saint Louis durante um ano. Também trabalhei pra um pequeno jornal do Missouri. eu era o típico caso de um jovem que não sabia o que fazer."
O jornalismo acabou levando Denny aos quadrinhos. "No começo dos anos 60, fiz uma série de reportagens sobre o ressurgimento das Hqs. Entrevistei Roy Thomas que, na época, publicava a revista Alter Ego, um dos primeiros e, na minha opinião, melhores fanzines sobre quadrinhos. Roy já tinha trabalhado na DC e estava indo para a Marvel, a serviço de Stan Lee".
"Quando o meu artigo foi publicado, Roy me enviou o teste da Marvel para argumentistas. Fiz aquilo quase como uma brincadeira, mas Stan Lee gostou e me ofereceu um emprego. Como eu estava mesmo querendo mudar pra Costa Leste, pus minhas coisas numa perua, deixai um bilhete pro meu editor e me mandei pra Nova Iorque. Foi a atitude mais irresponsável que já tomei. Tinha muitas coisas pendentes no jornal...se eu fosse o meu editor, teria ido atrás de mim e me matado".
"Trabalhei na equipe da Marvel por seis meses antes de me tornar free-lancer. Eu escrevia Doutor Estranho, Millie - The Model, Patsy and Hedy e alguns faroestes. stan escrevia os super-heróis. Gradualmente, ele foi passando o serviço pra gente. Isso era ótimo pros roteiristas aprenderem, porque, com Stan na supervisão, as nossas burradas não iam adiante."
"Na mesma época, ouvi dizer que um tal de Dick Giordano estava comprando histórias pra Charlton Comics...Eu fui atrás dele, é claro. Dick aceitou algumas colaborações, mas, como eu já trabalhava em outras publicações, resolvi adotar um pseudônimo: Sergius O'Shaunessey. O nome, por sinal, foi tirado do personagem de um livro de Normam Mailer (Deer Park) que eu estava lendo. Mais tarde, conheci o Mailer, mas nunca contei nada pra ele".